A Economia Solidária tem seu início na organização das nossas comunidades pela melhoria das condições de vida e sobrevivência que nos levaram a resistência e luta na construção de um mundo mais justo, igualitário e equitativo.
No processo de organização, resistência e luta por direitos construímos uma forma de produção, comercialização justa, consumo responsável com distribuição de riquezas e não balizadas pelas regras do mercado e do capital que atuam a partir da exclusão, concentração de riqueza e ataque ao meio ambiente pelo lucro acima de tudo.
A Economia Solidária, tem como pressuposto a reprodução da vida humana e a construção de relações sociais baseadas na solidariedade, nas relações cooperadas de geração e renda, autogestionárias com autonomia decisória, e fundamentalmente ambientalmente sustentável e com justiça social.
Então, a Economia Solidária é construída a muitas mãos a partir de um processo pedagógico social e popular de construção de conhecimento, uma pedagogia balizada por pressupostos humanistas e de utopia com qualidade de vida a todas e todos através de um trabalho permanente de organização comunitária e atuação nos territórios buscando o desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental.
A Economia Solidária possui três eixos estruturantes: finanças; produção, comercialização justa e consumo responsável; e o trabalho em rede.
As Iniciativas de Finanças Solidárias tem por objetivo a organização em torno do fornecimento de crédito, e isso ocorre de três maneiras. Através dos: Fundos Solidários, Bancos Comunitários de Desenvolvimento e Cooperativas e Crédito Solidário. Todo empreendimento mesmo que solidário necessita de crédito a fim de iniciar suas atividades de geração de trabalho e renda. Assim, inúmeras comunidades se organizam a fim de coletivamente oferecerem respostas com suas próprias regras a essa demanda de investimento financeiro e fora das regras usurpantes dos bancos tradicionais.
O segundo eixo de atuação é o da produção, comercialização justa e o consumo responsável na produção de bens e serviços, com geração de renda e transformação dos territórios. Alguns elementos importantes a serem destacados são: a origem das demandas – ou seja, ao mesmo tempo em que existe a necessidade de geração de renda e também coexiste a falta de bens e serviços nos próprios territórios; por outro lado o processo de produção, comercialização e consumo não pode ter as mesmas bases de exclusão e exploração que justamente gerou a resistência e luta organizativa através da economia solidária; destacamos ainda os pressupostos libertário e ambientalmente sustentável dos processos produtivos, comerciais e de consumo possível em um modelo não baseado no lucro insano e centralização de riquezas do capitalismo que a economia solidária oferece às cidadãs e cidadãos a partir da transformação dos seus territórios.
O terceiro eixo é a construção permanente de Redes de Cooperação Solidária que além de fortalecerem os pressupostos humanistas de solidariedade e cooperação, através da construção coletiva, permite o fortalecimento coletivo dos empreendimentos solidários.
Todos esses processos são possíveis através de uma intensa troca e aprofundamento de conhecimentos técnicos e políticos, com participação social intensa e apoio técnico na construção de uma economia solidária, sustentável ambientalmente com desenvolvimento econômico e justiça social.