A demanda de geração de renda ou a demanda de bens e serviços, ou as duas ao mesmo tempo, nascem nos territórios. Então a organização de resistência e luta estimulada na própria comunidade, ou através de organizações já com trajetória na economia solidária ou até mesmo através de políticas públicas, visam em última instância buscar a melhoria de qualidade de vida na comunidade.
É na comunidade que existe entre vizinhos e amigos que existem relações permeadas por diversidade, mas também de companheirismo, solidariedade e objetivos comuns esboçados por necessidades comuns.
Muitas demandas existem em uma comunidade em maior ou menor grau. Sejam a busca por serviços e políticas públicas como educação, saúde, segurança pública, assistência social, etc.; seja por geração de renda e bens de consumo e serviços de difícil acesso em comunidades em situação de vulnerabilidade social.
Nas nossas comunidades o trabalho e a geração de renda são altos, sendo um dos principais motivos para o aumento do trabalho informal. Segundo dados fornecidos pelo IBGE em 2020, cerca de 20,20% dos jovens entre 14 e 29 anos não completaram o ensino médio porque abandonaram a escola antes de mesmo de terminar seus estudos formais representando um aumento do número de homens e mulheres que buscam aumento de renda pessoal ou subsistência.
O fornecimento de bens e serviços em comunidades vulneráveis no Brasil segundo dados do IBGE de 2020, refere que cerca de 25,30% da população brasileira vive em situação de pobreza, o que representa cerca de 52,5 milhões de pessoas. Além disso, muitas dessas comunidades enfrentam dificuldades de acesso a serviços básicos, como água, saneamento, saúde e educação. Esse quadro de exclusão social também está relacionado à falta de empregos formais e à precarização do trabalho, o que resulta em menor renda para essas pessoas e, consequentemente, em falta de acesso a bens e serviços essenciais.
Há evidências de que o Estado vem enfrentando um empobrecimento e uma crise fiscal, com impacto significativo em diferentes setores e na qualidade de vida da população, em Porto Alegre podemos levantar a hipótese de que o mesmo ocorre.
Conforme dados do Observatório Metrópoles, em publicação de marços de 2022:
“Desde o ano de 2020, quando do início da pandemia, a mesma tem enfrentado um aumento dos desligamentos em todos os diferentes segmentos produtivos. Se trabalharmos com os dados do último trimestre de 2021, percebe-se que houve um estoque negativo de aproximadamente 1000 desligamentos acima das contratações, sendo o setor serviços (educação, transporte e armazenamento) o maior responsável. A construção civil também teve forte impacto em termos absolutos no emprego da capital gaúcha. Aqui cabe resgatar que este setor é relevante se tratando de contrações e desligamentos, pois concentra uma parte significativa de pessoas. Embora no Brasil o setor tenha apresentado um saldo líquido positivo em 2021, em Porto Alegre o mesmo não se verificou (-0,68%)”.
Então é nos territórios que a vida acontece. É nos territórios bem definidos, em comunidades em situação de vulnerabilidade, que as dificuldades acontecem.
E é nos territórios com base em arranjos de solidariedade humanista que podemos mudar realidade adversa de desigualdade social que existe nos grandes territórios chamados Porto Alegre, Rio Grande do Sul e Brasil, estimulando o protagonismo social e popular na busca de desenvolver ações de geração de trabalho e renda, a partir da organização das comunidades em seus territórios, e redes de territórios na oferta de bens e serviços que atenuem e enfrentem as desigualdades sociais.
https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/PNAS2004.pdf
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/180051/101_00353.pdf