O QUE É ECONOMIA SOLIDÁRIA
FALTOU O CONCEITO
Economia solidária é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano e não do capital.
“(…) um conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito – organizadas sob a forma de autogestão, isto é, pela propriedade coletiva do capital e participação democrática (uma cabeça, um voto) nas decisões dos membros da entidade promotora da atividade.”¹
Apesar de o nome ter sido criado no Brasil, economia solidária é um movimento que ocorre no mundo todo e diz respeito a produção, consumo e distribuição de riqueza com foco na valorização do ser humano. A sua base são os empreendimentos coletivos (associação, cooperativa, grupo informal e sociedade mercantil)
O cooperativismo, o Associativismo da Economia Solidária são capazes de promover trabalho digno e decente, com inclusão e justiça social, geração de renda e respeito ao meio ambiente. Além disso, fomenta o desenvolvimento local com autogestão, emancipação e autonomia.
https://unicopas.org.br/economia-solidaria /
A Economia Solidária tem seu início na organização das nossas comunidades pela melhoria das condições de vida e sobrevivência que nos levaram a resistência e luta na construção de um mundo mais justo, igualitário e equitativo.
No processo de organização, resistência e luta por direitos construímos uma forma de produção, comercialização justa, consumo responsável com distribuição de riquezas e não balizadas pelas regras do mercado e do capital que atuam a partir da exclusão, concentração de riqueza e ataque ao meio ambiente pelo lucro acima de tudo.
A Economia Solidária, tem como pressuposto a reprodução da vida humana e a construção de relações sociais baseadas na solidariedade, nas relações cooperadas de geração e renda, autogestionárias com autonomia decisória, e fundamentalmente ambientalmente sustentável e com justiça social.
Então, a Economia Solidária é construída a muitas mãos a partir de um processo pedagógico social e popular de construção de conhecimento, uma pedagogia balizada por pressupostos humanistas e de utopia com qualidade de vida a todas e todos através de um trabalho permanente de organização comunitária e atuação nos territórios buscando o desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental.
A Economia Solidária possui três eixos estruturantes: finanças; produção, comercialização justa e consumo responsável; e o trabalho em rede.
As Iniciativas de Finanças Solidárias tem por objetivo a organização em torno do fornecimento de crédito, e isso ocorre de três maneiras. Através dos: Fundos Solidários, Bancos Comunitários de Desenvolvimento e Cooperativas e Crédito Solidário. Todo empreendimento mesmo que solidário necessita de crédito a fim de iniciar suas atividades de geração de trabalho e renda. Assim, inúmeras comunidades se organizam a fim de coletivamente oferecerem respostas com suas próprias regras a essa demanda de investimento financeiro e fora das regras usurpantes dos bancos tradicionais.
O segundo eixo de atuação é o da produção, comercialização justa e o consumo responsável na produção de bens e serviços, com geração de renda e transformação dos territórios. Alguns elementos importantes a serem destacados são: a origem das demandas – ou seja, ao mesmo tempo em que existe a necessidade de geração de renda e também coexiste a falta de bens e serviços nos próprios territórios; por outro lado o processo de produção, comercialização e consumo não pode ter as mesmas bases de exclusão e exploração que justamente gerou a resistência e luta organizativa através da economia solidária; destacamos ainda os pressupostos libertário e ambientalmente sustentável dos processos produtivos, comerciais e de consumo possível em um modelo não baseado no lucro insano e centralização de riquezas do capitalismo que a economia solidária oferece às cidadãs e cidadãos a partir da transformação dos seus territórios.
O terceiro eixo é a construção permanente de Redes de Cooperação Solidária que além de fortalecerem os pressupostos humanistas de solidariedade e cooperação, através da construção coletiva, permite o fortalecimento coletivo dos empreendimentos solidários.
Todos esses processos são possíveis através de uma intensa troca e aprofundamento de conhecimentos técnicos e políticos, com participação social intensa e apoio técnico na construção de uma economia solidária, sustentável ambientalmente com desenvolvimento econômico e justiça social.
Acho bem interessante colocar o vídeo, se possivel
Sabemos que as políticas de fomento e desenvolvimento econômico são de esfera governamental. Federal no país. Estadual no Estado e municipal no Município. E a luta e resistência comunitária, enseja uma permanente vigilância para com os governos na execução de políticas públicas e de direitos de um município e comunidades falando da micropolítica nos territórios.
A luta, resistência e defesa de políticas públicas de geração de renda, em especial na Economia Solidária é nosso pressuposto e exigência do nosso protagonismo social e popular.
Mas é bem sabido que nem todos os governos são estimuladores da organização social e popular como forma de estimular a justiça social no nosso caso através do estímulo, fomento e indução de micropolíticas de geração de renda como a Economia Solidária. Existem governos que atuam para macroeconomia como o agronegócio até mesmo estimulando a desindustrialização do país por exemplo.
O fato é que sabidamente nas grandes comunidades brasileiras em situação de vulnerabilidade social existem defasagens importantes na prestação de bens e serviços, e pelos altos índices de desemprego e desocupação ainda observados no início de 2023, mesmo que já oferecendo sinais de melhoria na economia.
Mas o ponto é que, por dois motivos não podemos esperar, mesmo que lutando por governos democráticos e de atenção às cidadãs e cidadãos, que os governos eleitos, ou o governo de plantão ofereça nas suas ações justiça social.
O primeiro motivo é justamente esse, temos que estimular a permanente criação de estratégias de fomento e desenvolvimento econômico próprios de Economia Solidária na medida em que sempre foi assim a resistência e a luta por direitos. A Economia Solidária sempre foi assim, trocas e mais trocas de conhecimentos, tecnologias e solidariedade.
O segundo motivo decorre de que o próprio avanço de estratégias de fomento e desenvolvimento econômico comunitário além de terreno fértil para a produção de justiça social autogestionária é terreno pronto para o plantio quando governos democráticos de humanistas venham tomar a frente dos executivos federal, estadual e municipal.
Essa foi e é a estratégia do projeto de construção do OBSERVATÓRIO – Bancos Comunitários: transformando território e gerando renda. A partir da experiência do Justa Troca – Banco Comunitário, fundado em 2017 na Vila Nossa Senhora Aparecida, cristalizar a metodologia, produzir e construir novos saberes a fim de produzir uma “política de fomento e desenvolvimento econômico comunitária”. Com isso já produzimos efeito, pois na Vila Asa Branca no Sarandi e na Vila Colina do Prado no Jardim Carvalho em breve teremos dois novos Bancos Comunitários em Porto Alegre.